Morte de crianças no trânsito cai 60% após ‘cadeirinha’
Uso correto da cadeirinha no carro, segundo órgãos de trânsito, é grande responsável pela redução das estatísticas.
Após entrar em vigor em setembro de 2010 o uso obrigatório da
cadeirinha em veículos, as estatísticas de acidentes de trânsito com
mortes de crianças de até sete anos – idade em que o uso do equipamento
de segurança é obrigatório – têm reduzido.
Os órgãos de trânsito em Alagoas são enfáticos ao afirmar que foi o
uso correto do dispositivo que diminuiu a incidência de acidentes fatais
para os pequenos no Estado.Segundo Genilson de Freitas Lins,
responsável pelo setor de estatísticas do Instituto Médico Legal (IML)
Estácio de Lima, o número de mortes de crianças até 12 anos – o órgão
não calcula de zero a sete anos – em acidentes nas estradas reduziu em
60% este ano se comparado ao mesmo período de janeiro a março de 2010,
quando a lei do uso da cadeirinha ainda não estava valendo.No primeiro
trimestre de 2010, foram sete mortes de crianças em acidentes
automobilísticos, contra cinco casos em 2011 e apenas três em 2012.
A inspetora Mariana Silveira, do Núcleo de Comunicação da Polícia
Rodoviária Federal (PRF) enfatizou que nas rodovias alagoanas não há
dados significativos a respeito de acidentes graves envolvendo crianças
de até sete anos em razão de as pessoas respeitarem mais a lei da
cadeirinha em grandes percursos (viagens mais longas, que passem por
rodovias federais ou outras estradas). Nessas situações, segundo ela, os
pais se preocupam mais em proteger suas crianças.A PRF explica que o
grande problema do não uso da cadeirinha ainda é dentro das cidades,
porque as pessoas acreditam que em percursos mais curtos, como de casa
para a escola, por exemplo, nada vai acontecer e negligenciam o
equipamento. “O uso das cadeirinhas infantis, além de ser obrigatório,
dá segurança e evita ferimentos”, alertou a inspetora.
Menos mortes
No Brasil, enquanto o trânsito matou mais de 40 mil pessoas em 2010, com uma média recorde de 111 mortes por dia e uma alta de 8% com relação ao ano anterior, o Ministério da Saúde continua investindo em campanhas de combate à dengue, que na visão de especialistas mata muito menos que o trânsito. Em 2010, 592 óbitos foram registrados em decorrência da dengue.
No Brasil, enquanto o trânsito matou mais de 40 mil pessoas em 2010, com uma média recorde de 111 mortes por dia e uma alta de 8% com relação ao ano anterior, o Ministério da Saúde continua investindo em campanhas de combate à dengue, que na visão de especialistas mata muito menos que o trânsito. Em 2010, 592 óbitos foram registrados em decorrência da dengue.
Os dados são da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego
(Abramet), ouvida pela reportagem da Tribuna Independente.Em Alagoas,
788 pessoas morreram vítimas do trânsito em 2010, e 863 em 2011. Este
ano, de janeiro até o dia 10 de abril, conforme dados estatísticos do
Instituto Médico Legal em Alagoas, o trânsito já matou 140 pessoas e não
deve parar por aí. A reportagem conversou com especialistas de trânsito
para saber o significado e os fatores responsáveis pelos números
lamentáveis que engrossam a estatística de acidentes de trânsito com
mortes no País.
Eles apontam três principais motivos: relaxamento da Lei Seca, falha
humana, tecnologia introduzida no veículo – como celulares e GPS -,
falta de educação no trânsito e a facilitação na compra de veículos.De
acordo com o diretor da Abramet, Dirceu Rodrigues Alves, para combater a
dengue se gasta um percentual absurdamente maior que na prevenção dos
acidentes de trânsito, em que morrem milhares de pessoas e outras ficam
sequeladas.
“Crescem as frotas, porém nenhum investimento para abrir espaço para
se transitar. Como se não bastasse a precariedade com relação à educação
de trânsito prevista no Código de Trânsito Brasileiro, que até hoje não
foi aplicada. Ainda com Centro de Formação de Condutores com
ensinamento precário, não permitindo o aprendizado das adversidades
encontradas no dia a dia e sem uma educação continuada”, disparou o
diretor.




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